Discurso de Arruda divide senadores e pode levar a solução conciliatória
BRASÍLIA. A confissão do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) de que participou na quebra do sigilo do painel de votação surpreendeu e dividiu os senadores, que pareciam estarrecidos com o tom da confissão, mas, ao mesmo tempo, diziam que ele não tirava a gravidade do episódio.
- A confissão confirma o delito. Mas não sei se o Senado tem coragem de punir o Antonio Carlos e o Arruda - disse Amir Lando (PMDB-RO).
- Depois do discurso se amenizou muito a situação do Arruda - acrescentou o líder do PPS, Paulo Hartung (ES).
Neste primeiro momento, muitos dizem que isso pode levar à suspensão do mandato, em vez da cassação. O corregedor Romeu Tuma (PFL-SP) disse que Arruda, ao ajudar a elucidar os fatos, pode ter a punição atenuada. Mas outros, como o presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet (PMDB-MS), não pensam assim:
- A situação se agravou. Ele confessou e é uma prova poderosa. Não se trata mais do testemunho de uma funcionária, mas do depoimento de um senador. Agora o conselho pode andar mais rapidamente.
Péres não se sensibiliza Já para Jefferson Peres (PDT-AM) a situação de Arruda não mudou: .- Confesso que esse discurso pode ter despertado a compaixão de muitos senadores, mas não a minha. Ele mentiu e continua mentindo - disse.
Alguns senadores acreditam que o destino de Arruda e Antonio Carlos está associado à indignação da opinião pública e ao fato de que dois terços dos senadores vão disputar a reeleição ano que vem. Os senadores também argumentam que a confissão de Arruda só ocorreu, a exemplo da de Regina Borges, porque eles não tinham saída. Dizem ainda que seu valor é relativo diante do discurso que fez na semana anterior.
- Se o Arruda tivesse ido a uma igreja e se confessado, teria sido absolvido. Os que defendem a suspensão estão, na verdade, defendendo a absolvição dos dois - disse Pedro Simon (PMDB-RS).
Porta-voz lê declaração de FH O presidente Fernando Henrique Cardoso assistiu ao discurso e considerou o comportamento do ex-líder "corajoso e digno", por meio do porta-voz Georges Lamazière. Segundo assessores, Fernando Henrique escreveu a declaração lida pelo porta-voz.
- O presidente considerou-o corajoso e digno. Ele reconheceu seus erros e assumiu humildemente responsabilidade por eles. O caminho da verdade é o único que permite ao político recuperar sua credibilidade perante seus companheiros e a opinião pública - disse Lamazière.
Fernando Henrique, segundo assessores, se referiu ao discurso como "um pronunciamento muito difícil".
Apesar de o Planalto estar afastado das articulações, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), tiveram contato permanente com Arruda. Pimenta, segundo integrantes do governo, teria informado o Planalto sobre o discurso e seu tom. O ministro chegou a aconselhar Arruda a dizer a verdade, embora o PSDB como partido tivesse abandonado o senador.
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